Último Alento - Mercília Rodrigues

 

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Último Alento

Mercília Rodrigues

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      Tremem-lhe as mãos !
      O coração não bate generoso .
      Vive em estado de tensão .
      Olha a seu redor ansioso .
      
      Onde estão as vozes conhecidas ?
      Onde seus entes mais chegados ?
      Fica absorto ante o prato de comida ,
      em sua mão, por caridade, colocado.
      
      Traz os olhos opacos rasos d'água
      Pela ausência e sofrido abandono .
      Ali deixado como folha descartada ,
      Como trapo ...um velho cão sem dono !
      
      Fogem-lhe as forças do corpo , braços .
      Pernas trôpegas, andar sem prumo ...
      Queria encontrar em seu cansaço
      Algum olhar indicador de um rumo .
      
      Nem que fizesse um supremo esforço ,
      Ouvir as vozes daqueles que criou ...
      Foi peito, foi amor ... foi dorso .
      Queria morrer olhando quem amou !
      

      
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