
MOLEQUE
Mercilia
Rodrigues
Moleque de rua , arteiro !
Que vive de
pé no chão
Traz o olhar
zombeteiro
Boca com
palavrão
Mostra,
moleque safado,
O que te faz
diferente,
Este teu corpo
danado
Ou teu sorriso
sem dente ?
É noite pra
ti ...
Pra mim é dia
...
O manto escuro
que me acoberta,
Permite a mim
arrelias
Sou a fome que
te bate à porta
Sou a obra do
descuido teu
Encho minha
boca de palavras tortas
Roubo-te o
pão que não era meu.
Desgraça
pouca não é valentia
Não tenho
braços pra me aquecer.
Sou a
consciência de tua covardia
Saber que
existo sem me atender.
De dia durmo e
não vejo a hora.
E rico sou,
por estar vivendo
Não ver a
mãe que lá se foi embora
E o pai de
dor, aos poucos foi morrendo.
Do mundo sou a
folha errante
Jogada ao
vento pelos sopros teus
Jornal da
noite sem um assinante
Sou moleque,
teu irmão em Deus !
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Rodrigues
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