Mãe - Mercília Rodrigues

 

 

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MÃE

Mercilia Rodrigues

 

Vejo-te , mãe, tão jovem ainda,

Trazendo a face de suor banhada.

Do ferro em brasa o seu lar sustinha,

Penso... tão só ! Tão desamparada !

Buscavas forças que não possuías,

Enxugava lágrima para não verter,

Vestias o rosto com falsas alegrias,

Ensinavas ao filho qual o seu dever.

Tarde da noite o quarto a rondar,

Acariciando nosso adormecer,

Sentir saudade e para não chorar,

Cantar baixinho todo seu sofrer.

Ao ver-te o rosto triste e molhado,

Enxugava-te o pranto, sem compreender

Que um dia tiveste teu amado ao lado,

Estavas sozinha no seu bem- querer.

Tingiu-te os anos o cabelo em neve,

Marcou-te o rosto  o tempo tão ensano

Levou-te  a morte num sofrer tão breve!

 Ficamos eu e meus desenganos.

 

 

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