Repousa a rua na saudade,
No passado ensolarado,
Cantava a bela Adelaide,
Da janela do sobrado
Era tango, bolero ou fado.
Misturava letras, inventos.
O segredo mui guardado,
Debaixo de seus lamentos.
Anos de espera ilusória!
Cantou, cantou e... cansou.
Ninguém entendeu sua história
que ela cantou porque amou .
Era amor louco, proibido.
Mal feito,leviano, escondido.
Dos pecados revelados,
Pedia perdão em seus fados.
Um dia... janela fechada.
A voz emudecida, guardada.
O canto da cigarra calou!
O seu segredo guardou.
Parou de cantar, cansada.
Da gaiola bateu asa,
Abriu a porta da rua,
Esqueceu toda uma espera.
Saiu do mundo da lua...
A vida que sempre quisera,
Tinha nas mãos, era sua!